Olimpíadas 2016 Rio

RESPOSTA DAS GUERREIRAS AO ESPN BRASIL

11 augusto 2016

Em um texto intitulado “Olímpicas 3: No futebol feminino, seleção de mulheres que ganham mais que 96% dos homens”, publicado em 08/08/2016, Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN Brasil, infelizmente presta um desserviço não somente ao futebol de mulheres, mas também aos argumentos e manchetes honestas.
Pereira talvez não acompanhe projetos que, como o nosso, são dedicados a demonstrar que é precisamente o machismo aquilo que cria e fomenta as disparidades entre o futebol masculino e o feminino, e por isso talvez não perceba o machismo embutido em seu texto… Mas aqui no Guerreiras Project a gente gosta de diálogo então, a partir de seu próprio artigo, ofereceremos ao colega alguns contrapontos.
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Pereira, você abre o texto declarando que a seleção brasileira feminina de futebol virou o “novo xodó” do país “devido às boas vitórias nas primeiras partidas pelos Jogos Olímpicos” que, de acordo com você, “transformaram Marta e suas companheiras em heroínas”.
Gostaríamos então também de começar lembrando que Marta é considerada uma heroína muito antes do bom desempenho apresentado nas Olimpíadas. Marta é heroína porque representa bem a conquista de glórias com muito sangue e suor, que é justamente o que, como sociedade, esperamos dos atletas. Marta é heroína mesmo sem precisarmos listar os títulos que acumulou ao longo de sua carreira extraordinária. Marta é heroína por ter sido eleita melhor jogadora do mundo por cinco vezes consecutivas. Marta é heroína por ser a maior artilheira da Seleção Canarinho. Importantemente, Marta é uma heroína sem precisarmos sequer compará-la com um homem…
…que foi o que você fez, ainda no primeiro parágrafo, quando disse que a seleção feminina é o xodó da nação “por causa da desastrosa participação do time masculino em mais uma competição internacional até aqui”.
Será que não ocorre ao colega que esta comparação é sua, e sua apenas? Será que não ocorre ao colega que admiramos nossas atletas por elas, não em comparação com atletas homens? Será que ocorre ao colega a ideia radical de que mulheres são seres humanos, e não complementos dos homens? Será?
Pereira, você também diz que é “desconhecimento e afobação” o que faz com que muitos se precipitem na avaliação do jogo entre as mulheres. Concordamos! Mas daí a concluir que “em campo o que se vê é o futebol jogado de forma bem mais simples, tecnicamente muito inferior e sem comparação” é uma afronta. Principalmente quando você não descreve a tal simplicidade, nem aponta especificamente onde está a tal inferioridade…
Pereira, você declara não ter “nada contra as mulheres praticando, muito pelo contrário”, mas ainda assim afirma que “elas ainda não atingiram um nível técnico que faça do jogo em si algo de elevado nível técnico”. Primeiramente, de acordo com quem? Como já questionamos, tudo o que você implica é que “o futebol feminino ainda é um jogo ingênuo, em alguns lances simplório até”. Você mesmo disse que não há comparação, mas continua comparando. Então onde mais faremos as comparações? Quais são os critérios? Velocidade? Habilidade? Criatividade? Beleza? Competitividade? Você precisa aprimorar seus argumentos, senão fica parecendo que você não gosta, e ponto. Você não gostar de futebol de mulheres, ou de qualquer outra coisa, bom, isso é com você, e tudo bem. Mas ao criticar, seria legal fundamentar a sua crítica. E se for fazê-lo, em antecipação aos seus argumentos, oferecemos uma problematização: o contexto onde essas habilidades são treinadas é completamente diferente para mulheres e homens. É debaixo do gramado simbólico que está a raiz simbólica de um problema bastante real.
O que nos leva de volta ao ponto da técnica. É apenas praticando que se atinge níveis técnicos elevados, e você parece desconhecer (ou desconsiderar? Esperamos que só desconheça, assim podemos ajudar) a situação precária dos aparatos de treinamento para as mulheres – aparatos a que muitas delas têm acesso, por sinal, apenas uma vez que outros obstáculos sociais (familiares, culturais, financeiros) sejam superados. Estamos falando de meninas e mulheres que treinam apenas nos dias de folga dos homens. Que herdam seus antigos uniformes e chuteiras, pois o clube não tem verba para investir nos delas. Que precisam cuidar dos irmãos, afinal é isso que é esperado das meninas, e perdem treino por isso. Que apanham em casa quando escapam para jogar bola, pois futebol é coisa só de moleque. A lista é imensa.
Você também diz, a respeito de Marta, que são exceções como ela o que provoca “ilusões coletivas e distorções” sobre o futebol de mulheres. Ilusões coletivas a respeito do que? Da importância e potência do futebol de mulheres? Ilusões coletivas como as causadas por Pelé, ou Messi, portanto? Aqui vemos dois pesos e duas medidas sendo usados. Marta – a inspiradora de ilusões coletivas – é uma exceção, sim; mas como toda atleta, ou pessoa extraordinária. Seu sucesso emana inspiração, da mesma forma que Gisele Bündchen, ou Neil de Grasse Tyson fazem em outras esferas.
Mas sua história, esta não é uma exceção. Sua história é compartilhada por um número gigantesco de atletas, que precisaram e ainda precisam enfrentar barreiras que devem ser inimagináveis para alguém que nunca ouviu que “menino não joga futebol”. Barreiras como essa encontrada na sua retórica.
Voltando ao nível técnico das atletas, foi uma combinação dele mais talentos individuais mais altíssimas doses de garra e obstinação o que fez com que mulheres extremamente determinadas – e pouquíssimo apoiadas, e ao longo de uma vida inteira, não apenas quando já se encontram em uma posição de brigar por mídia – conquistassem:
• O 2º e 3º lugar nas Copas do Mundo de Futebol Feminino em 2007 e 1999, respectivamente;
• O 2º lugar na Algarve Cup em 2016;
• O 2º lugar na Copa Ouro Feminina em 2000;
• Medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas em 2004 e Pequim em 2008;
• Medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em 2011;
• Segundo lugar no Torneio Internacional de Futebol Feminino em 2010;
• E a Copa América… em 1991, 1995, 1998, 2003, 2010 e 2014.
Você diz, Pereira, que é possível que mulheres consigam atingir o desenvolvimento técnico, tático e atlético que eleve o patamar do futebol que praticam. Sim. É este o caso para todos os esportes, e seus maiores objetivos e motivações: superação de limites e aprimoramento técnico, tático e atlético. O futebol jogado por homens anos atrás também era inferior ao futebol jogado por homens hoje. Por que seria diferente com as mulheres, se mulheres são seres humanos?
E ainda assim, mesmo sem especificar quais são os critérios que usa para avaliar que o futebol feminino (tanto o jogado por brasileiras quanto por americanas, europeias ou asiáticas) é inferior ao dos homens, você critica e sugere que se não somos tão boas (quanto você gostaria?) “não é por falta de apoio”. É sim, Pereira. Você pode não saber, por não ver – mas ouça o que dizem as atletas do futebol feminino. Nós somos elas. Ouça a gente. Esta é a nossa história. Falta de apoio é onde o nosso futebol floresce. Jogar a responsabilidade para a audiência, que como você mesmo disse “as ignora praticamente todo o tempo e se veste de verde-amarelo para gritar ‘Brasil’ e clamar por ajuda a elas em períodos especiais”, não é o suficiente. O apoio precisa vir antes.
O público sempre segue a mídia, a mídia sempre segue o capital, e o capital sempre segue o público. Este é um dos círculos viciosos do mundo no qual a gente vive, que é machista. Assim, quando ao invés de dar ao futebol feminino o crédito que o jogo merece por nascer em gramado seco, você apenas o critica (e sem fundamentar!), contribuindo para a manutenção deste ciclo, amigo.
Um dos grandes dilemas das atletas, há anos, vem sendo justamente esse: modalidades femininas recebem menos cobertura porque têm menos verba, ou recebem menos verba por terem menos cobertura? Esta é uma pergunta impossível de responder sem antes compreender que, para conquistarmos equidade material, é preciso equidade subjetiva, e para isso é fundamental que respeitemos as atletas não apenas pelo seu trabalho, mas por serem mulheres, por terem conquistado o que conquistaram apesar da falta sistemática de apoio. Ser mulher, Pereira, adiciona uma camada extra bem grossa de dificuldade. Não gostaríamos que fosse assim. Apenas apontamos para este fato.
Quando você declara que “para o futebol feminino crescer, é preciso interesse popular, o que traria patrocinadores, transmissões ao vivo pela TV etc”, você precisa perceber que o interesse poderia começar a partir de você. Afinal, que tipo de apoio você espera que atletas que enfrentam todos os tipos de obstáculos machistas ao longo da vida recebam quando você é o primeiro a declarar que o jogo não é tão interessante assim? O discurso da falta de apoio, que de acordo com você é falso, é precisamente o discurso que você fomenta ao fazer comparativos onde não há comparação.
E você faz isso já no título, que é um silogismo, com altas doses da boa e velha falsa simetria utilizada para comparar esportes masculinos e femininos. Pelo que entendemos você quis dizer que não falta dinheiro para as mulheres do futebol, e para provar o seu ponto, você comparou o rendimento financeiro das atletas da seleção, que é de aproximadamente R$9 mil mensais, com os R$5mil mensais em média recebidos por… 96% dos jogadores homens profissionais do Brasil.
Pereira, vem cá. Ou a gente compara o valor recebido pelas atletas da seleção com o valor recebido pelos dos atletas da seleção, ou a gente compara o valor recebido por 96% dos atletas homens com o valor recebido por 96% das atletas mulheres. Senão, querido, sua comparação é falsa. Percebe?
A nossa resposta ao seu artigo é simples: o atual time feminino do Brasil continua sem receber apoio, sim, especialmente quando a comparação é feita entre os contextos de gênero, e proporcionalmente (e com o devido critério!) ao time masculino.
Finalizamos esse texto te devolvendo sua própria asserção, Pereira: “se você tanto admira mulheres jogando futebol, não embarque em discursos rasos e sexistas, vá aos estádios e ligue a TV para vê-las jogar”. Fique também de olho em projetos sobre mulheres e futebol. Quem sabe assim você comece a perceber não apenas a beleza do futebol de mulheres, mas fundamentalmente, a tremenda injustiça que é a falta de apoio que perpassa suas vidas inteirinhas.
Carinhosamente,
Guerreiras Project.
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Imagem destacada: Thais Picarte pelas lentes de Daniel Kfouri para Guerreiras Project

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GUERREIRA E JOGADORA DA SELEÇÃO BRASILEIRA BEATRIZ VAZ SOBRE OS COMENTÁRIOS RACISTAS, MACHISTAS E HOMOFÓBICOS

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10 augusto 2016

Assim que a foto da jogadora da África do Sul, no jogo de futebol feminino do Brasil ontem, viralizou na web, não demorou para os comentários racistas, machistas e homofóbicos aparecerem. Para a reflexão deixamos aqui o comentário da guerreira e jogadora da seleção brasileira Beatriz Vaz sobre o assunto:
“Meus amigos vou contar um fato pra vocês, fatos estes relatados por atletas da Nigeria, Senegal e Africa do sul. Vamos lá…
As africanas, de uma maneira geral, precisam se esconder ou se disfarçar para poderem praticar a modalidade em seus paises (!!!)
Isso faz com que elas criem modelos motores e até de atitudes iguais aos homens, algo realmente bem triste porque precisam mudar seus padrões para serem aceitas.
Muitas dessas mulheres que vocês observam com cabelos curtos são casadas e têm filhos. E mesmo se não fossem casadas e com filhos, continuariam com a triste realidade de obrigatoriamente terem que se adaptar a um ambiente que as faz perderem suas identidades para praticarem a modalidade que escolheram!
Fica aqui meu alerta para que os julgamentos sejam sempre com bastante cautela, porque entender o ambiente e suas particularidades faz com que a modalidade ganhe espaço e o valor que realmente merece, assim como todas as outras modalidades, cada uma nos seus contextos e com suas necessidades!” – Beatriz Vaz.
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#RIO2016 E O JORNALISMO TARADO – CARTA CAPITAL POR GUERREIRA JOANNA BURIGO

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http://www.cartacapital.com.br/sociedade/rio2016-e-o-jornalismo-tarado

#Rio2016 e o jornalismo tarado – Carta Capital

Já não cabe mais acatar que profissionais sérias e altamente qualificadas como atletas sejam abreviadas à condição de “gostosa”

por Joanna Burigo

Vou começar esse texto com uma confissão: não pratico esportes. Ainda assim, vou falar sobre as Olimpíadas. Declaro não ser atlética antes de oferecer um parecer feminista sobre os Jogos por saber que a vida das esportistas – amadoras ou profissionais – é muito mais diretamente, dramaticamente e negativamente afetada pelas práticas misóginas do universo dos recordes e medalhas do que a vida de quem, como eu, acompanha a mídia esportiva apenas em épocas de megaeventos.

O que viso oferecer aqui é um olhar feminista de espectadora, tanto dos Jogos quanto de toda a cobertura jornalística que segue. Um olhar que ainda está por ver, mas que antecipa o que vai acontecer na transmissão da #Rio2016: a objetificação das atletas por um jornalismo tarado que abusa de seus corpos – ainda que simbolicamente.

As Olimpíadas mal começaram, e algumas notícias já foram problematizadas pela intelligentsia feminista online. Notícias em que imagens dos corpos das atletas são compostas de forma a sexualizá-las. Enaltecer atletas Olímpicas por sua boa forma, além de redundante – elas são, afinal, a elite do desporto mundial – é pernicioso.

Isso porque as matérias e imagens sobre elas raramente louvam a potência de seus corpos ou as habilidades que as tornam campeãs, como disciplina e obstinação. Em contrapartida, nunca falta detalhamento visual a respeito de coisas como o formato dos seus glúteos.

A boa forma das atletas, que serve outro propósito, pelas mãos do jornalismo tarado vira mais um dispositivo para colocar as mulheres no lugar onde o patriarcado nos quer: o de complemento decorativo e objeto de desejo, e não de agentes autônomas bem sucedidas em função dos próprios esforços.

Antes de começar a escrever este texto, eu estava com o coração dividido entre questionar o aparato Olímpico e celebrar as atletas. Foi ao começar a escrevê-lo que me dei conta: celebrar as conquistas e superações das atletas mulheres de forma respeitosa, desviando da cilada que transforma estas profissionais em musas para consumo masculino, é questionar o aparato Olímpico – ou ao menos as estruturas machistas que ainda o sustentam.

Não é difícil celebrar atletas por suas competências, e não por sua aparência. Este já é o tratamento dado a atletas homens. Que precisemos escrever, ou fazer campanhas, ou produzir material educativo para que a mídia não trate esportistas como objetos sexuais é evidência do machismo latente que permeia todas as instituições.

O machismo é um dos principais motivos pelos quais as mulheres se afastam dos esportes, e, felizmente, existem diversos projetos feministas dedicados a questionar e desafiar este paradigma.

O Olga Esporte Clube, por exemplo, visa transformar a relação entre mulheres e esporte, partindo do pressuposto que o machismo rouba delas o direito ao prazer, à socialização e ao crescimento pessoal, que são a essência da prática esportiva.

É machismo o que transforma o esporte e a inclinação atlética das mulheres em instrumentos de reforço do culto ao corpo, fomentando neuroses como controle de peso e fixação na perfeição estética.

O Guerreiras Project há anos utiliza o futebol como ferramenta para revelar, analisar e combater preconceitos de gênero. Essa iniciativa (da qual aconteço de ser co-fundadora, junto com a ex-jogadora estadunidense Caitlin Fisher e a campeã dos Jogos Pan-Americanos de 2007, vice-campeã da Copa do Mundo Feminina de 2007, e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004, Aline Pellegrino) cria e estimula diálogos visando ampliar a conscientização e reflexão crítica necessárias para a remoção dos obstáculos machistas que atravessam o caminho das atletas.

As dibradoras – que também atuam na conscientização a respeito do machismo que perpassa a prática do futebol de mulheres – cansadas de ver a mídia tratando como musas as profissionais que trabalham duro para ser campeãs, com muito treinamento, suor e lágrimas, lançaram a campanha #MaisQueMusas, que roga por uma cobertura jornalística madura das atletas em detrimento da transmissão adolescente do jornalismo tarado, que se interessa apenas por seus corpos.

Já a Revista AzMina criou o manual didático “Como não ser machista em contextos esportivos”. Nele, dicas práticas para jornalistas, esportistas, treinadores e espectadores lembrarem que as mulheres não existem, tampouco se exercitam, para seduzir ou para serem musas, mas sim porque mulheres são seres humanos que gostam de esportes e os praticam, e não deveriam ser desrespeitadas, violentadas ou objetificadas por causa disso.

Alguns veículos da mídia nacional já tomaram providências para que a misoginia seja varrida da cobertura das Olimpíadas. O UOL Esporte, por exemplo, buscou ajuda de duas ONGs feministas – a já mencionada AzMina, e a Think Olga – para mapear as barreiras que mulheres esportistas encontram por serem mulheres.

Com cinco vídeos e uma série de reportagens que antecedem as Olimpíadas, a campanha encoraja todas a engrossar o caldo de denúncias aos machismos que permeiam a vida das esportistas usando a hashtag #QueroTreinarEmPaz.

O simbolismo de oferecer às mulheres atletas o tratamento de musas, gatas e afins reforça a mensagem que vem sendo enviada para mulheres há anos: sua habilidade atlética é de segunda classe, o que importa é sua aparência. Esta é a mesma mensagem enviada para meninas e mulheres, em todos os lugares, a respeito de quase tudo, todos os dias: “seu papel é decorativo”.

O jornalismo tarado que trata atletas como meros objetos sexuais é bastante responsável pelo grande dilema das profissionais do esporte: modalidades femininas recebem menos cobertura porque têm menos verba, ou recebem menos verba por terem menos cobertura?

É impossível responder a esta pergunta sem antes compreender que, para conquistarmos equidade material, é preciso equidade subjetiva, e para isso é fundamental que respeitemos as atletas primordialmente por seu trabalho, e não por suas coxas e peitos.

Jornalistas – assim como torcedores, executivos, familiares e treinadores – não deveriam permanecer confortáveis com o fato de as mulheres, além de receberem menos (dinheiro, apoio, visibilidade…), quando recebem é em função de como se parecem. Esta desigualdade é tão interiorizada que, quando as atletas a apontam, elas tendem a ser desacreditadas, ou mesmo silenciadas.

Que a #Rio2016 sirva também como motivo para que nós, espectadoras, sigamos falando e desafiando normas e padrões opressivos que são socialmente aceitos. Já não cabe mais acatar que profissionais sérias e altamente qualificadas sejam abreviadas à condição de “gostosa”.

#TemMulherNaJogada, então que a audiência continue de olho no jornalismo tarado, usando hashtags de denúncia para interagir com a mídia misógina. #JogaPraElas para que as usemos todas, e muito, até que esse jornalismo pueril crie vergonha e passe a agir como gente grande, bem resolvida – e nada machista.